
Desde meados do século XIX, Turtagrø é o ponto de partida para montanhistas de diversos países que queiram conhecer o maciço de Jotunheimen. As caminhadas nestas serras inspiraram o famoso dramaturgo norueguês Henrik Ibsen a escrever a peça Peer Gynt, para a qual Grieg compôs a música incidental na década de 1870. Grieg fazia muitas excursões e caminhadas em Jotunheimen, onde se via face a face com “o grandioso”. “É Shakespeare e Beethoven e o que quiser em essência pura! Não troco isso por uma dúzia de concertos com a Orquestra do Gewandhaus de Leipzig”, ele declarava.
No verão, os agricultores que habitavam os vales costumavam levar o gado aos pastos alpinos. Ainda hoje alguns mantêm esta tradição. Geralmente, as jovens cuidavam do gado na temporada. Em 1891, Grieg e Röntgen passeavam pelas serras, e num dos chalés que abrigavam turistas conheceram Gjendine Slaalien, uma moça de 19 anos. Ela acalentava o bebê de sua irmã com uma cantiga de ninar. Segundo Röntgen, a melodia deixou “uma impressão maravilhosa – muito rítmica, mas com interpretação natural, livre; ao final, cada vez mais vagarosa e suave até esvaecer.” Grieg e seus amigos anotaram esta música e diversas outras. Grieg fez um arranjo e publicou a melodia na Áustria, revertendo os lucros para um projeto de caridade. Mais tarde, ele aperfeiçoou a peça, incluindo-a no Opus nº 66 de melodias populares. Gjendine Slaalien viveu até os 100 anos de idade e gravou canções para a rádio norueguesa até os últimos anos de sua vida.