Noruega de Grieg - A magia dos Fiordes da Noruega - seguindo as trilhas de Grieg

Hardanger

Lofthus

Fiorde de Hardanger. Foto: Johan Berge/IN

Para buscar forças e inspiração, Grieg escolheu o vilarejo de Lofthus, à margem do Fiorde de Hardanger, onde encontrou o cenário perfeito para suas composições. O lugar tanto o agradou que ele fez construir uma cabana onde pudesse se dedicar ao trabalho artístico sem qualquer interferência.

A cabana foi preservada e pode ser vista no jardim do Hotel Ullensvang.

Em carta a um amigo, Grieg descreve sua estadia em Hardanger da seguinte forma:

“ É preciso viajar a Hardanger antes do São João para sentir a poesia do lugar em toda a sua glória e beleza. Então, as cachoeiras deixam soar suas imponentes sinfonias, as geleiras brilham, o ar está impregnado de aromas, as noites são claras, lá toda a existência parece um conto de fadas. Imagine, não conseguíamos ir dormir de noite.
Ficávamos acordados na claridade noturna, noite após noite, sorvendo o belo ar e o luminoso fiorde, que repousava na mais profunda paz. ”
Carta escrita por ocasião do 53º aniversário de Grieg, comemorado em Lofthus no dia 15 de junho de 1896)
De Lofthus a Vøringsfossen

Hardangerfjorden. Foto: Gaby Bohle/IN

Lofthus tornou-se local de veraneio e ponto de encontro para muitos dos amigos de Grieg e Nina. Para entreter os visitantes, o casal gostava de organizar excursões. Um dos destinos mais exóticos era o cânion de Måbødalen, onde uma imponente queda-d’água, Vøringsfossen, se lança penhasco abaixo. Para alcançar o planalto e observar a cachoeira de cima, os viajantes tinham que subir uma escada íngreme de 1.500 degraus. O turista de hoje pode escolher entre o caminho utilizado na época de Grieg, uma antiga estrada com vistas espetaculares, ou a rodovia moderna com muitos túneis.

Em 1896, no Planalto de Hardanger, a grandeza da paisagem inspirou Grieg a compor várias peças inovadoras, baseadas em músicas populares: “Tendo Vøringsfossen a seus pés, você se sente mais independente e ousa mais que lá embaixo no vale”, ele dizia. O frescor e o pioneirismo das composições de seu Opus nº 66 refletem a beleza agreste que cercava o autor.